A Fundação de Saúde Itaiguapy, administradora do Hospital Itamed, conquistou mais um importante reconhecimento em nível nacional: a recertificação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), que garante a renovação do título de filantropia concedido pelo Ministério da Saúde.
A Portaria SAES/MS nº 3.920 foi publicada no Diário Oficial da União no dia 19 de março. No documento, o secretário de Atenção Especializada à Saúde, Mozart Júlio Tabosa Sales, deferiu a renovação do CEBAS da Fundação de Saúde Itaiguapy, com sede em Foz do Iguaçu (PR), após a comprovação da prestação anual de serviços ao Sistema Único de Saúde (SUS) em percentual superior ao mínimo exigido de 60%, conforme determina a legislação vigente. A certificação tem validade até 31 de dezembro de 2027.
De acordo com a coordenadora do setor de Contratos e Habilitações, Silvana Bidutti, a instituição não apenas atendeu a todos os requisitos legais, como também superou os índices mínimos exigidos. “A instituição alcançou 81,16% de atendimentos destinados ao SUS. No que se refere à prestação de serviços hospitalares, o índice foi de 68,16%. Já na área ambulatorial, foram registrados 10%, além de 3% relacionados à atuação integrada nas redes de atenção obstétrica e neonatal, bem como na rede de atenção oncológica. Os resultados evidenciam o compromisso institucional com a ampliação do acesso à saúde pública e com a atuação qualificada e integrada às políticas assistenciais do SUS”, explicou.
Hospital filantrópico e referência regional
O Hospital Itamed é uma instituição filantrópica e teve seu primeiro pedido de concessão do CEBAS na área da saúde deferido em 28 de julho de 2011, por meio da Portaria Ministerial nº 412. A partir dessa certificação, passou a assumir formalmente a responsabilidade de desenvolver ações prioritárias na área da saúde, mantendo a oferta mínima de 60% dos atendimentos ao SUS.
O complexo hospitalar é referência em áreas como Neonatologia, Gestação de Alto Risco, Oncologia e Cardiologia, atendendo pacientes encaminhados pelas Unidades Básicas de Saúde que necessitam de serviços de maior complexidade.

Pilar do SUS na região
Os hospitais filantrópicos desempenham papel fundamental na sustentação do Sistema Único de Saúde. No Paraná, segundo dados da Federação das Santas Casas de Misericórdia e Hospitais Beneficentes do Estado (Femipa), são 71 instituições que, juntas, disponibilizam 10.711 leitos de internação ao SUS, o equivalente a 78% de todos os leitos públicos do estado, além de 1.178 leitos de UTI, mais da metade das vagas de terapia intensiva financiadas com recursos públicos.
“Os hospitais filantrópicos são pilares do SUS e, por isso, é essencial discutirmos soluções para um financiamento sustentável. Quando um paciente em estado gravíssimo é transferido para o hospital, ele não quer saber se está no SUS, no particular ou no filantrópico, ele precisa de atendimento, de um leito, de uma UTI, de um cuidado digno. É isso que garantimos diariamente”, afirmou o diretor-superintendente Gilmar de Oliveira, destacando que o Hospital Itamed é imprescindível para a saúde da nona regional.
A 9ª Regional de Saúde está localizada na Macrorregional Oeste do Paraná e atende uma população estimada em mais de 440 mil habitantes. Além de Foz do Iguaçu, município sede, a regional abrange os municípios de Itaipulândia, Matelândia, Medianeira, Missal, Ramilândia, Santa Terezinha de Itaipu, São Miguel do Iguaçu e Serranópolis do Iguaçu.
Desafios e déficit na operação do SUS
Assim como outras instituições filantrópicas em todo o país, o Hospital Itamed enfrenta um cenário de desequilíbrio financeiro causado pela defasagem histórica nos repasses do SUS. O impacto é ainda mais significativo nos atendimentos de média e alta complexidade, cujos custos reais superam os valores pagos pelo sistema público.
A instituição também lida com forte pressão assistencial. Referência para os nove municípios da 9ª Regional de Saúde, o hospital opera frequentemente com taxa máxima de ocupação de leitos, reflexo da alta demanda por atendimentos especializados.

“Em nossa instituição, o SUS corresponde a maior parte dos atendimentos prestados, embora represente apenas 18% das receitas. Ainda assim, seguimos firmes cumprindo o que foi contratado e oferecendo um atendimento de qualidade à população”, destacou Gilmar. “Acreditamos que as negociações com a Secretaria Estadual de Saúde serão conduzidas de forma positiva, o que permitirá a continuidade desse importante volume de atendimentos, assegurando a manutenção do nível de assistência prestado e o equilíbrio sustentável da operação do hospital”.
Em 2025, os atendimentos vinculados ao SUS geraram um custo aproximado de R$ 161,5 milhões para a Fundação. No mesmo período, o faturamento dentro do contrato com o Governo do Estado do Paraná foi de R$ 52 milhões. A instituição também recebeu R$ 58,1 milhões por meio de convênio com a Itaipu Binacional, destinados ao custeio social do SUS.
“Ainda assim, a operação resultou em um déficit de R$ 51,3 milhões, absorvido pela receita proveniente de convênios e atendimentos particulares”, pontuou.
Papel da Itaipu e responsabilidade social
Com forte vocação social, o Hospital Itamed destina a maior parte de sua estrutura ao atendimento de pacientes do SUS. Esse perfil exige uma gestão estratégica dos recursos próprios, provenientes de convênios e atendimentos particulares, que ajudam a sustentar a assistência pública.
Nesse contexto, a parceria com a Itaipu Binacional tem papel relevante no fortalecimento da instituição. Para 2026, estão previstos investimentos, voltados à modernização tecnológica, melhoria da infraestrutura e qualificação contínua dos serviços.
“É importante destacar que a Itaipu Binacional atua como apoiadora do complexo hospitalar, e não como mantenedora. O apoio é direcionado a projetos estratégicos que fortalecem o atendimento ao SUS e ampliam a capacidade assistencial”, ressaltou o diretor.
Segundo ele, essa parceria tem sido decisiva para viabilizar investimentos estruturantes, especialmente em tecnologia, equipamentos e inovação assistencial, contribuindo diretamente para a ampliação do acesso e para a melhoria da qualidade do atendimento.
Modernização, gestão e transparência
A instituição passa atualmente por um processo estruturado de transformação e readequação, impulsionado pelas mudanças no setor de saúde, como o aumento dos custos operacionais e o crescimento da demanda.
Esse movimento inclui a revisão de serviços, contratos e da estrutura organizacional, com foco em eficiência, sustentabilidade e continuidade da assistência. A direção reconhece que mudanças podem gerar impactos, mas reforça que as medidas são necessárias para garantir a qualidade e a segurança no atendimento.
Além disso, o hospital vem fortalecendo práticas de governança, com a implantação de processos de auditoria e compliance, ampliando a transparência e a segurança na gestão.

Os resultados podem ser observados nos indicadores assistenciais. Entre 2021 e 2025, o percentual de atendimentos ao SUS passou de 62% para 73%; o tempo médio de permanência foi reduzido de 4,05 para 2,70 dias; a taxa de ocupação evoluiu de 64% para 73%; o número de cirurgias aumentou de 6.249 para 11.841; os atendimentos de urgência e emergência cresceram de 69 mil para 80 mil; a realização de exames passou de 1,31 milhão para 1,45 milhão; e o número de partos subiu de 4.072 para 4.249.
Outro dado relevante é que as taxas de infecção hospitalar e mortalidade também apresentaram redução, passando de 3,76% para 2,90% e de 5,69% para 2,99%, respectivamente, permanecendo abaixo dos índices preconizados pelo Ministério da Saúde e reforçando o padrão de qualidade assistencial da instituição.
